
TCE: ainda há lugar para stents não farmacológicos?
Are drug-eluting stents superior to bare-metal stents in patients with unprotected nonbifurcational left main disease? Insights from a multicentre registry
Introdução
Embora a cirurgia de revascularização miocárdica CABG seja o tratamento de eleição em lesões de tronco de coronária esquerda TCE não protegido, resultados satisfatórios vêm sendo demonstrados com o tratamento percutâneo, notadamente após o advento dos stents farmacológicos SF. Permanece incerto, porém, a superioridade dos SF frente aos stents convencionais em situações que não envolvam a bifurcação distal do TCE.
Métodos e Resultados
Registro retrospectivo multicêntrico envolvendo pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea ICP para o tratamento de lesões ostiais e de corpo de TCE em 19 centros italianos. No período de janeiro de 2002 a dezembro de 2006, 479 pacientes foram incluídos na amostra, dos quais 334 (69,7%) receberam implante de SF (Cypher ou Taxus) e 145 (30,3%) de stents convencionais. A média de idade foi de 72 anos, sendo 28% de diabéticos, 53% multiarteriais e EuroSCORE médio de 5. Em seguimento clínico de três anos, a razão ajustada de risco para mortalidade após implante de SF em relação à stent convencional foi de 0,37 (IC 95%: 0,15–0,96, p 0.04). A razão ajustada de risco para mortalidade cardíaca foi de 0,31 (IC 95%: 0,09–1,04, p 0.06). Não houve diferença quanto à necessidade de nova revascularização entre os grupos (11,4% vs. 10,7%, p 0,60). Houve apenas um caso (0,6%) de trombose definitiva subaguda em paciente tratado com stent convencional, e um caso (0,3%) de trombose definitiva tardia em paciente tratado com SF.
Comentários e implicações clínicas
Pacientes com lesão de TCE configuram subgrupo de maior risco para ocorrência de eventos cardíacos adversos. No presente registro, a sobrevida média livre de eventos aos três anos foi de 70%. Embora a CABG permaneça como estratégia de revascularização preferencial, a ICP apresenta se como alternativa viável em casos selecionados, sobretudo naqueles associados à menor complexidade angiográfica, conforme demonstrado em subanálise do estudo SYNTAX. Apesar do emprego de SF ter reduzido substancialmente as taxas de reestenose e necessidade de nova revascularização na prática clínica, os stents convencionais demonstraram eficácia similar no tratamento de lesões ostiais e de corpo de TCE nesse registro. Menor mortalidade observada com o uso de SF pode resultar de variáveis não mensuráveis, comuns em estudos não randomizados.
As evidências hoje disponíveis justificam a realização de um ensaio randomizado comparativo entre CABG e ICP no tratamento de lesões ostiais e de corpo de TCE, bem como entre SF e stents convencionais, para a determinação do real papel da intervenção percutânea nesse cenário.
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Acesso Restrito
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